quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Tempo

Tempo da vida
Não quero os de despedida
Quero o tempo da saudade
Ah, o tempo de liberdade
Quero o tempo das estações
O tempo que alimenta todos os corações

Quero o tempo das flores
E aproveitar todo 23 de setembro
Quero a tão sonhada primavera
Te amar a noite toda, sem demora, sem espera

Quero o tempo do sol
O calor do verão
Quero você com seu picolé
Derretendo meu coração

Quero o tempo do romance
Aquele das folhas secas: O outono
Quero você desejável
Sempre perto, sempre estável

Quero o tempo do inverno
Para que eu possa me aquecer em você
Quero aquele vento gelado
Impossível de esquecer

Eu quero o tempo de observar as coisas
Poder notar o quanto o tempo passa rápido
Sugar do tempo, todo o tempo que ele pode me oferecer
Fazer das pessoas sempre as mais importantes
E reduzir aqueles amores
A um único. Você

Quero o meu tempo
O tempo que é só meu
O tempo de cuidar de mim
Para ter o tempo de tornar-me eternamente seu


Wesley Lima





terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Da praia

Diria todas aquelas palavras
Para tentar te convencer
Eu diria, se tivesse oportunidade
Bobagem sua decidir desaparecer

Estamos nós de frente ao mar
E ele nos diz tudo o que deveríamos saber
Estamos nós expostos ao vento
E eles nos toca como deveríamos nos tocar
Deveríamos fazer isso
Não juramos nos amar?

E a areia nos ensina
Como deveríamos nos comunicar
Não adianta nada dizer que nos amamos
Se ao menos sabemos o que significa amar

Ao longe vejo o encontro do céu com as águas
Incrível toda essa imensidão
E no instante em que eu deveria ter te tocado
Senti um leve aperto no coração

E deveria ter dito
Ali, naquele momento
Tudo o que você representa para mim
Não devia ter deixado nunca
Você ter decidido sumir

E de repente o sol de punha
E a orla toda escureceu
Num roupante dei-me conta de que era tudo um sonho
Você, a praia e todo o resto, tudo desapareceu

Em minhas pernas não haviam vestígios da areia
Em contrapartida meu edredom me envolvia
No celular ao meu lado
Uma chamada sua perdida

E então não tive dúvida
Deveria ser um sinal
Atendi e disse que te amava
Não queria que fosse mais um 'alô' banal


Wesley Lima


domingo, 9 de dezembro de 2012

Você, hoje

Aquele calor impresso na almofada
Evaporou-se, virou fumaça
Seu rímel na fronha branca
Manchou seu rosto todo, como se você fosse apenas
Uma criança

Eu fico aqui, colecionando corações de papel
E tudo o que você faz é observar toda essa tragédia
As páginas vão sendo escritas
Como sua vida
Esse pastiche de comédia

Mas não há como não viver
Não há nada que eu possa fazer
Até gostaria de ajudar
Mas a única culpada pelo seu fracasso
É você

Aquela sua foto
Aquela do papel amarelo
Fiz questão de queimar
Era trágico olha-la todos os dias
E não poder, simplesmente, voltar a te amar

Mas não há como não viver
Não há nada que eu possa fazer
Até gostaria de ajudar
Mas a única culpada pelo seu fracasso
É você

Banal culpar a ambiguidade
Seu coração é ruim
Não há duplicidade
Você não honrou as dedicatórias daquele amor
Tudo que fez foi em busca da própria ambição
Você amava, apenas, seu próprio coração
Agora que está sofrendo
Desejo que prove deste mesmo veneno
E duvido que sorria, ao final das contas
Você é incapaz de sentir esse arrepio
Seu olhos são negros, vindos de um passado sombrio

Essas palavras são o ultimo uivo de salvação
Finalmente você deixou meu coração
Mas nunca esquecerei daquela sua figura
Depois de certo tempo
Nojenta, me pedindo ajuda


Wesley Lima






quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O tempo que passa, a mentira que fica e sua vida na contramão.

Não adiantou de nada todo aquele mistério. Todo aquele silêncio. Não adiantou de nada fingir que não existia um ponto final e termos ido para cama, numa transa sem sabor, naquela lastimável noite de natal. Não adiantou de nada. O tempo passou. Passou da mesma forma. Tão assim, de repente. E sempre foi assim, você se lembra? Sorriamos e de repente, já não sorriamos mais. O sorriso passava, como o tempo, que vive passando. Alimenta-se das passagens. Apenas delas.

Veja bem: suas mentiras, suas transas perdidas, suas soluçadas, suas travessuras, suas declarações e todas aquelas suas juras perdidas, tudo isso, de que adiantou? De nada. Tudo, enfim, passou.

Lembro-me pouco do seu rosto, e menos ainda daqueles teus beijos mentirosos. Alguns outros pequenos detalhes já foram esquecidos também. O tempo levou as lembranças que eu mais me orgulhava em manter as sete chaves. Levou tudo.

Mas o tempo é previsível. Todos nós sabemos que ele passará, cabe as marionetes (nós) de tudo aproveitar. Por isso gozei muito, e pude sentir o seu tesão naquela noite quente de duplo adultério. O seu quanto meu. Por isso fiz questão de notar cada gota do seu medíocre suor. Fiz questão de fotografar na memória os momentos que seus olhos reviravam-se e os instantes precisos em que seu diafragma era pressionado, forçando sair da sua boca gemidos calorosos. Eu reparei. 

Muitos se arrependem das coisas que fazem, ou deixam de fazer. Outros se satisfazem por muito, ou por muito pouco. Outros, os iguais a mim, esperam uma vingança calma, criada pelo tempo. E ela realmente chega. Observe só essa sua vida completamente na contramão.


Wesley Lima