domingo, 9 de dezembro de 2012

Você, hoje

Aquele calor impresso na almofada
Evaporou-se, virou fumaça
Seu rímel na fronha branca
Manchou seu rosto todo, como se você fosse apenas
Uma criança

Eu fico aqui, colecionando corações de papel
E tudo o que você faz é observar toda essa tragédia
As páginas vão sendo escritas
Como sua vida
Esse pastiche de comédia

Mas não há como não viver
Não há nada que eu possa fazer
Até gostaria de ajudar
Mas a única culpada pelo seu fracasso
É você

Aquela sua foto
Aquela do papel amarelo
Fiz questão de queimar
Era trágico olha-la todos os dias
E não poder, simplesmente, voltar a te amar

Mas não há como não viver
Não há nada que eu possa fazer
Até gostaria de ajudar
Mas a única culpada pelo seu fracasso
É você

Banal culpar a ambiguidade
Seu coração é ruim
Não há duplicidade
Você não honrou as dedicatórias daquele amor
Tudo que fez foi em busca da própria ambição
Você amava, apenas, seu próprio coração
Agora que está sofrendo
Desejo que prove deste mesmo veneno
E duvido que sorria, ao final das contas
Você é incapaz de sentir esse arrepio
Seu olhos são negros, vindos de um passado sombrio

Essas palavras são o ultimo uivo de salvação
Finalmente você deixou meu coração
Mas nunca esquecerei daquela sua figura
Depois de certo tempo
Nojenta, me pedindo ajuda


Wesley Lima






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